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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pequenos Desejos

Pequenos Desejos

Quando a dor ganhou nela
resolvi que o melhor seria imaginá-la, em mim
Assim poderia controlar o fluxo
de sangue, gota a gota, dirigindo-se
dos ápices ao centro da sua terra-
lua e talvez ser, aí
calmamente
toda a poesia em si
estratificada. Nessa loucura
iniciei uma cura de bebida e leitura -
eu lia-te e bebia-te sem saber
se era em ti ou em mim
que a dor, apaziguava – e tal como
aprisionado, marcava traços numa pele -
minha ou dela - na esperança
de um dia podermos sair
de lá os dois, rumo à
liberdade.

© 2017, José Coelho


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Small Desires

When the pain won in her
I decided that the best would be to imagine her in me
Hence, I could control the flow
of blood, drop by drop, heading itself
from the apexes to the center of its earth-
moon and maybe be, there
calmly
all the poetry in herself
stratified. In this madness
I started a healing of drinking and reading -
I read you and drank you without knowing
if it was in you or in me
that the pain, appeased - and just as
imprisoned, I marked traces on a skin -
mine or hers - in hope
one day we could leave
from there, the two, towards
freedom.

© 2017, José Coelho


domingo, 12 de março de 2017

Alquimia Sanguínia

Alquimia Sanguínia

Começo a confundir a memória nas imagens
que criei de ti

de manhã
subo o teu rio, se me apetece, porque ele
nem sequer existe

e fica no tempo
a pergunta se hei-de tocar-te
com ou sem lábios, talvez

mãos me peçam um traço
vermelho, uma face ou a linha dos cabelos
cingindo o horizonte

nada

de manhã
ofusca-me a tua presença, incerta
enquanto sombra nocturna

e eu, RH+
donde ninguém sai quando se pisa
nem água nem fio

© 2017, José Coelho


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

J'aime Suivre [mon] Coeur

J'aime Suivre [mon] Coeur

O sagrado alimenta-se
da vertigem da ignorância;
há que esmiuçá-lo!

A ignorância cresce
com o conhecimento, tornando-se
porém, menos inebriante

Criamos deuses
à nossa imagem – cruéis, generosos, piedosos, rancorosos
Depois, revestimo-los duma cera brilhante e colocamo-los
num altar, longínquo, inacessível, sagrado
Prostramo-nos diante deles
em sinal de respeito e
adoração

à espera de uma bênção ou
de um sinal benigno – ide, e a partir d'agora sede livres

A liberdade de uns
mete muito medo a outros

e o medo que esta possa afectar a fundação erguida
sobre o pavor de outros
aguça a vontade de
sangue

Sempre


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J'aime Suivre [mon] Coeur

That, that is sacred
nourishes with ignorance's vertigo;
ought to be scrutinized!

Ignorance grows
with knowledge, becoming
nevertheless, less inebriant

We create gods
after us - cruel, generous, pious, rancorous
Next, we coat them with fulgent wax and put them
on a sacred, recondite, aloof altar
We prostrate our selves
before them
of respect and
worship

in readiness for a blessing or
a benign sign – go, from now on you shall be
free

The freedom of some
scares the bejesus out of the other

and the fear that she could hit the foundation erected
upon other's dread
sharpens the will for
blood

Always.

© 2015, José Eduardo Coelho