segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Debouchment Studies I

Debouchment Studies I

flowing south-
west a reference to
containers

culture a lot
being submission to
north-

east simile
brotherhood factor
in contusion

with impressive
allusive platform displacement
regardless of

real

possibilities
transcending aimless
via lácteas

divine
promises sinking
now

unaware of
Rocinante's awkward
fate

written
in plain ingenious
madness or

glory
as brutally observed
here

at
the mouth of this
river.

© 2014, JC

domingo, 9 de fevereiro de 2014

The Mountain

The mountain is there
path's seeking destiny ends
Abjured boots and socks
Not needed in this journey
Where body enlaces soul

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Aquele Ele Poderia Ser Eu

Estes tipos da rádio, já não sabem o que hão de dizer...
entopem-se a eles e a nós, garroteiam-nos
descaradamente empanturram-nos
com desperdícios transgénicos
inúteis
fá-los ocos Oh miseráveis!
Nós os que aceitamos
nada, menos lixo
com que nos preparam para
a ceia final,
rejeitemos!

Em vésperas de sol
a sul
fui finalmente transferido.

As nectarinas descaíam
pelos seus seios gomosos,
rasgos de lucidez
nas mãos a aparar
e a espremer
nós, de(le)itados
sorviamos o que sobrava.
As viagens despertam-me sonhos
bizarros, ambíguos

No entanto,
conseguimos calar os ranhosos da rádio;
estacionados em espanto
olhavam-nos
boquiabertos...
Não liguei.
Febril de antecipação
olhei a paisagem, imaginando
como seria para cada um dos outros 33
no autocarro
olhar a mesma paisagem.
Que sensações teriam
perante a mesma realidade
que a mim
deslumbrava

O autcarro parou.
Hora do chichizinho, da bolacha e do café.
A malta não se continha,
era lixo para todo o lado;
raivas colaterais desviaram-me
fechei-me na minha janela
e deixei os olhos pousar num carro imóvel a média
distância.

Dentro, o condutor observava-nos
e eu a ele, e ele a mim... não sei
era demasiado longe
mas eu senti
que aquele ele
poderia ser

eu

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Orange

Orange:

Red
the belief
she brought along with
elegance, instinct, boldness
colored my pale skin, in
such bright response
to emotional
events
like
water surface
reacting to breeze
upon zenith's
decay

Yellow
subtle fingers
drawing thin silhouettes
salted invitations along
swashed canals
fainting so
deeply


Oh! range of missed possibilities...
if only I could gather all
in abigailed orange
screams!


© 2014, JC

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

About Poetry

About Poetry

(Irreversibly described)

                     However,

before me, a
girl
walks, walking a dog;
park bench.
I sit listening to:
geezers in their hives
of cards and shirtsleeves
pulling scythes and beers
loosing sight of sun
and shadows;
                   the girl and the dog's
shadows;
didn't want to talk of one
or the other, but
the truth is that
I find myself thinking
about the effect
of one on the other
yes, putting on my glasses, the girl is
appealing and smooth, almost
I would say serenely physical of full
and crescent moons
and a tangerine's tone
when bitten, acidic
gum floods
but the question is,
                     the dog's contribution
haughty, upraised tail, slightly
wavy
frizzed long
hair
savoring the park's breeze
the odor of the grass
penetrating
the most beastly senses
and my perception of this poetic
composition
still to be done;

… and how graceful they move on!

One's beauty entices the other's
and I can't decide if and which
I shall eliminate.

The sun is high, outshines me!
                                          in tear

I certainly foresee a house, now
of fans
touch screens in freshened patios
exotic plants restless growing
around the torrid news of another drippy
summer

I take down my tent and get my self all
indoors-like,
synthetic, analyst
keyboard darning, fingers rumbling
in a useless attempt
of blowing
at the febrile desk of my
thoughts
that morning from Tagus-nymphs
                                                   exited.

On this old 5th floor
where I live
together with cockroaches, the odd mouse
and fabulous views to the south
I finally get out of focus in your eternal waters
and write.

© 2014, JC

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sobre Poesia

Sobre Poesia

(Irreversivelmente descrito)

                              Porém,

à minha frente, uma
rapariga
passa, passeando um cão;
banco de jardim.
Eu estou sentado a ouvir;
os velhotes nas suas colmeias
de cartas e mangas de camisa
puxam biscas e manilhas
a perderem-se de sol
e sombras;
as sombras,
da rapariga e do cão;
não queria falar delas,
nem deles, mas
a verdade é que
dou por mim a pensar
no efeito
de um no outro
sim, pondo os óculos, a rapariga é
bela e suave, quase,
diria serenamente física de luas
cheias e novas e um tom
de tangerinas
quando se trincam, ácidas,
enchentes de goma
mas a questão é,
                        o contributo do cão
altivo, cauda em riste, ligeiramente
ondulada,
frisados os pelos,
compridos,
saboreando a brisa do parque,
o cheiro da relva
penetrando
os sentidos mais animalescos
e a minha percepção desta composição
poética
por realizar;

...e a graça com que avançam!

A beleza de um, atrai a do outro
e não consigo decidir qual e se
hei de eliminar.

O sol vai alto, ofusca-me!
                                   em lágrima

Certamente antevejo já uma casa
de ventoinhas
ecráns tácteis em pátios refrescados
plantas exóticas crescendo descontentes
ao redor das noticias quentes de mais um verão
pingado

Eu desmonto a minha tenda e ponho-me todo
de interiores,
sintético, analista
teclado cerzindo, dedos troando
numa tentativa inútil
de soprar
à secretária febril dos meus
pensamentos
aquela manhã, de tágides
saída.

Deste velho 5 andar
onde convivo com baratas,
um ou outro rato e fabulosas vistas para o
Sul
desconcentro-me finalmente nas tuas águas eternas
e escrevo.

© 2014, JC