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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Verde Frágil

Verde Frágil

A frágil candura, na paisagem
assusta-me
pois a superfície que vejo é fina
como gelo
primaveril
Os verdes floresta confundem-me
pois eu conheço o que escondem, camada
sob camada
numa espécie de luxúria de
detritos, com assento
de nascimento
gravado nos leitos dos rios


E a essência dessa fragilidade, corre
gratuita, para os mares
da nossa ignorância
do nosso desprezo
da nossa tacanhez

tectónica.

© 2016, José Eduardo Coelho

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

J'aime Suivre [mon] Coeur

J'aime Suivre [mon] Coeur

O sagrado alimenta-se
da vertigem da ignorância;
há que esmiuçá-lo!

A ignorância cresce
com o conhecimento, tornando-se
porém, menos inebriante

Criamos deuses
à nossa imagem – cruéis, generosos, piedosos, rancorosos
Depois, revestimo-los duma cera brilhante e colocamo-los
num altar, longínquo, inacessível, sagrado
Prostramo-nos diante deles
em sinal de respeito e
adoração

à espera de uma bênção ou
de um sinal benigno – ide, e a partir d'agora sede livres

A liberdade de uns
mete muito medo a outros

e o medo que esta possa afectar a fundação erguida
sobre o pavor de outros
aguça a vontade de
sangue

Sempre


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J'aime Suivre [mon] Coeur

That, that is sacred
nourishes with ignorance's vertigo;
ought to be scrutinized!

Ignorance grows
with knowledge, becoming
nevertheless, less inebriant

We create gods
after us - cruel, generous, pious, rancorous
Next, we coat them with fulgent wax and put them
on a sacred, recondite, aloof altar
We prostrate our selves
before them
of respect and
worship

in readiness for a blessing or
a benign sign – go, from now on you shall be
free

The freedom of some
scares the bejesus out of the other

and the fear that she could hit the foundation erected
upon other's dread
sharpens the will for
blood

Always.

© 2015, José Eduardo Coelho