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segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Apenas a Tua Morte
Odeio a morte dos outros. Reprovo-a
fisicamente. Toda e qualquer tentativa de
entendimento falha perante o colosso da ausência que nunca enterrei.
Habita-me um desejo redondo que me faz morder
a própria carne. Refugo de lembranças
vagueiam-me pelo cérebro - coisas que pensam
por si e fingem ser a sério. Confundem-se,
confundo-me.
Apenas a tua morte me interessa e essa foi-o
Singularmente.
© 2018, José Coelho
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Pequenos Desejos
Pequenos
Desejos
Quando
a dor ganhou nela
resolvi
que o melhor seria imaginá-la, em mim
Assim
poderia controlar o fluxo
de
sangue, gota a gota, dirigindo-se
dos
ápices ao centro da sua terra-
lua
e talvez ser, aí
calmamente
toda
a poesia em si
estratificada.
Nessa loucura
iniciei
uma cura de bebida e leitura -
eu
lia-te e bebia-te sem saber
se
era em ti ou em mim
que
a dor, apaziguava – e tal como
aprisionado,
marcava traços numa pele -
minha
ou dela - na esperança
de
um dia podermos sair
de
lá os dois, rumo à
liberdade.
©
2017, José Coelho
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Small
Desires
When
the pain won in her
I
decided that the best would be to imagine her in me
Hence,
I could control the flow
of
blood, drop by drop, heading itself
from
the apexes to the center of its earth-
moon
and maybe be, there
calmly
all
the poetry in herself
stratified.
In this madness
I
started a healing of drinking and reading -
I
read you and drank you without knowing
if
it was in you or in me
that
the pain, appeased - and just as
imprisoned,
I marked traces on a skin -
mine
or hers - in hope
one
day we could leave
from
there, the two, towards
freedom.
©
2017, José Coelho
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