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domingo, 18 de março de 2018

Paisagens Rúbeas


Paisagens Rúbeas

Sentir aquele prazer infantil, de nada
ter de fazer, senão estar e observar
uma dormência que desce pela espinha
o quanto, apesar de inúteis somos
queridos, presentes, constantes como
peça de joalharia fina, ao pescoço
brilhando, escondida

Acerco-me desses dias apenas
vagamente induzo propriedades quentes
que acredito residirem algures
dentro de mim posso
acordá-las e olhá-las com a inércia
da saudade

Depois há os mapas, que digo
serem de cidades, mas em verdade são
representações das almas que já
amei e amo

Habito-as a todas, ensino-as
por quadrantes e linhas respeito
cada casa, cada parque, cada rio
memorizo seus cursos

até à foz há-de ser
oceano.

© 2018, José Coelho



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Horizonte

Que olhos
mornos, pingados
poderiam

dobrar o meu esquívo
horizonte tardio
e fixá-lo

por aí
num porto de mar
ou de rio
?

© 2014, José Eduardo Coelho


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Colorless Spirituality

their life is not much, though as much as any other, cuz they, the children of São Paulo, Santiago, Lima, Caracas, Rio could be kicking you and your smugged SUV or nose in any other city, south or east; fine to see how they make it through: abjection, home, disgust, bed-time, ugliness, story, bananas to eat or sell, dress up or dump among trash spread glories over such wides of sea most people wouldn't imagine to care what happens then, after all the pleasure, beauty, cleanness is gone or doomed inorganic.
So these other children and women take on the task to patrol and keep safe the remains of fast society, where life is made of shorts and ignominious where value was traded off for something else no body knows what, but the thing, it, keeps growing and in fact there is no stopping or aching
in fact these children, women, feeble men are the rest of us- shadows unifying human material dead and alive into one big, thick river.
...the river of colorless spirituality.


© 2014, JC